Há dois anos eu escrevi que o Dia Internacional da Mulher era sobre igualdade de direitos.
Hoje eu reafirmo — e acrescento: ainda estamos falando de sobrevivência.
Quando um homem é traído, dizem que ele teve o orgulho ferido. Quando uma mulher é traída, dizem que ela foi ingênua. Mas, no Brasil, mulheres são mortas todos os dias por homens que alegam não suportar a traição.
Quando um homem sente raiva, chamam de personalidade forte. Quando uma mulher sente raiva, chamam de descontrole. Mas a raiva masculina, quando naturalizada, termina em feminicídio.
Quando um homem não aceita o fim de um relacionamento, dizem que ele “ainda a ama”. Quando uma mulher não aceita, dizem que ela é dramática. Mas quando eles não aceitam, elas podem perder a vida.
Infelizmente isso não é exagero e tem nome: feminicídio.
E ele não começa no ato extremo…
Ele começa na desculpa.
Na piada.
Na condescendência.
Na naturalização da violência masculina como emoção legítima.
8 de março não é uma data para exaltar a “força feminina” como se resistir fosse escolha. É uma data para questionar por que ainda precisamos resistir. Ainda ganhamos menos. Ainda acumulamos mais. Ainda somos interrompidas, desacreditadas, hipersexualizadas, silenciadas. Ainda temos medo.
E, apesar disso, seguimos liderando, criando, educando, sustentando, organizando, inovando. Não queremos medalhas por suportar. Queremos igualdade para existir.
Hoje, ao dizer “parabéns”, faça uma pergunta mais honesta: O que você faz — concretamente — para que mulheres tenham as mesmas condições de segurança, respeito, poder e oportunidade?
Igualdade não é discurso, é prática cotidiana.
É revisão de privilégios, responsabilização, ação.
O dia em que não precisarmos mais falar de feminicídio será, enfim, um verdadeiro dia de celebração.
