No dia 17 de setembro tive a honra de participar da celebração dos 35 anos do CEERT Equidade Racial e de Gênero, no Sesc São Paulo, unidade Vila Mariana. Uma noite potente, cheia de memória, afeto e compromisso com a justiça racial.
O CEERT Equidade Racial e de Gênero é uma organização que há mais de três décadas atua na promoção da equidade racial e de gênero nas instituições brasileiras — e estar presente nesse marco foi profundamente inspirador.
A abertura do evento, com o painel “(Orì)entando futuros e o presente da luta”, foi profundamente mobilizadora. Tive o privilégio de ouvir:
Cida Bento – Fundadora do CEERT
Zara Figueiredo Tripodi – Ministério da Educação
Daniel Bento Teixeira – Presidente do CEERT
Kênia Cristina Lemos – IFSP Hortolândia
Luanda Mayra – Mediadora da fala de Cida Bento
Um dos momentos mais especiais foi encontrar Cida Bento, referência incontornável na luta antirracista, que autografou meu exemplar de O Pacto da Branquitude. Emoção pura.
No livro, Cida nomeia com precisão aquilo que muitas vezes é invisibilizado: os acordos silenciosos que sustentam privilégios raciais nas estruturas de poder. Ela demonstra como a branquitude se organiza — consciente ou inconscientemente — para manter seus espaços, proteger seus semelhantes e bloquear a ascensão de pessoas negras, especialmente em posições de liderança.
A potência da obra está justamente em deslocar o foco. Não se trata apenas de falar sobre racismo como problema “do outro”, mas de convocar a responsabilidade de quem se beneficia da estrutura. É um convite — firme e fundamentado — à revisão de privilégios, práticas institucionais e pactos históricos.
Ler O Pacto da Branquitude é compreender que a desigualdade racial não é acidente: é projeto. E todo projeto pode — e deve — ser transformado.
Poder olhar nos olhos de Cida Bento, agradecer por sua produção intelectual e celebrar os 35 anos do CEERT foi, para mim, mais do que um encontro. Foi a confirmação de que estamos em continuidade. De que a luta tem memória, tem método e tem futuro.
E para fechar a noite com chave de ouro, o grupo Samba de Dandara — formado exclusivamente por mulheres — trouxe potência, ancestralidade e resistência em forma de música. Um verdadeiro presente.
