Há dois anos corri a Meia Maratona de BH, no percurso de 10k, à beira da Lagoa da Pampulha. Eu vinha treinando com disciplina, seguindo planilha, construindo base. Quinze dias antes da prova, um problema na coluna me tirou os treinos finais. Ainda assim, decidi confiar no que já estava construído.
Aquela corrida não era apenas sobre tempo. Era sobre consistência.
Durante os 10k, mantive um pace estável — melhor do que nos treinos — sem picos heroicos, sem quebras dramáticas. Cruzei pessoas que alternavam explosões e caminhadas. Estratégias diferentes, objetivos diferentes. O meu era simples: sustentar o que eu havia preparado.
Quando terminei, pensei: acabei e estou inteira.
Hoje, olhando para aquele momento com mais maturidade, percebo o quanto aquela prova era metáfora da minha própria trajetória. Nem sempre conseguimos controlar as interrupções — uma lesão, uma mudança, uma encruzilhada inesperada. Mas o que foi construído com consistência permanece.
Na carreira, como na corrida, há quem corra para provar algo ao mercado. Há quem acelere além do próprio limite para impressionar. Eu sigo acreditando na força do ritmo sustentável — aquele que permite crescer, entregar resultado e, ainda assim, chegar inteira.
Dois anos depois, continuo aumentando as distâncias. Não apenas nas corridas, mas nas escolhas, nos projetos e na coragem de alinhar propósito e estrutura.
Que nossas jornadas — profissionais e pessoais — sejam assim: conscientes, consistentes e vividas com presença. Porque chegar é importante. Mas chegar inteira é essencial.
